O ano que começa depois que o mundo acaba

O mundo não acabou, de novo. E mais um ano começou, de novo. Como sempre, maravilhoso e repleto de pedidos, desejos e esperanças reverberando no pano noturno, escuro e esburacado de estrelas. Nosso antropocentrismo impede uma percepção maior e bem mais consciente: a de que este fantástico mundo está acabando desde que começou. É um princípio simples, geológico; o fim e o começo andando paralelos, e o equilíbrio completando este trio de ocorrências naturais.

O mais curioso sobre a existência humana é que conseguimos verbalizar sábios ensinamentos como: “pai, filho e espírito santo”, ou “positivo, negativo e neutro” e não aplicamos isto ao mundo em que vivemos: “começo, meio e fim”. Nada é estático, afinal.

No dia em que percebermos a dinâmica da vida – e portanto, do mundo – como a principal força motriz de tudo que acontece ao nosso redor, não para nós, ou por causa de nós, teremos uma convivência muito mais pacífica e inteligente com os acontecimentos naturais que transformam este mundo a todo instante. E profecias e provérbios antigos se tornarão parte desta compreensão e não motivos de chacota ou devaneios. Temos que reaprender a ler as entrelinhas.

Desejo a todos vocês, letrados que agora leem estas palavras e imagens, que sejam (e não apenas estejam) felizes neste novo ano. E que vejam o mundo ao seu redor com a mesma curiosidade e crença como estes tantos olhares que encontrei… Pelo mundo.